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Sunday, April 22, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de abril de 2018 TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” TEM NOVE PROVAS Expirado o prazo de receção de originais, conclui-se que o concurso de produção de enigmas policiais “Mãos à Escrita!” registou a participação de nove autores. Desta forma, serão também nove as provas que constituirão o torneio de decifração “Solução à Vista!”, com arranque agendado para o próximo dia 10 de maio, durante o qual serão decididos os problemas vencedores dos três prémios em disputa (troféu M. Constantino, taça Zé da Vila e taça Mário Campino). Essa decisão será tomada em função da média pontual atribuída pelos participantes do torneio de decifração e pelo orientador da secção, que, regulamentarmente, dispõem de entre 5 a 10 pontos para atribuir a cada enigma concorrente, tendo em conta a sua originalidade e grau de dificuldade. Posto isto, aproveitamos o tempo que nos separa do início desta que é a competição de todas as decisões (para produtores e decifradores) para publicar o penúltimo “problema de aquecimento das células cinzentas dos nossos detetives”, com mais uma aventura do “nosso” inspetor Fidalgo. ENIGMA POLICIÁRIO O Caso do DVD Desaparecido, de Insp. Fidalgo As coisas andavam a azedar um pouco na casa do arquiteto Chaves. Ele tinha a certeza que deixara três DVD em cima da mesa da sala de estar, com filmes muito recentes, que prometera emprestar a um amigo, mas a verdade é que agora só dava com dois. O terceiro evaporara-se! A sala era grande, virada a poente e ao mar, com amplas vidraças que deixavam entrar toda a luminosidade e os raios de sol, quando este brilhava, como era o caso. O projeto era dele mesmo e por isso privilegiara aquilo de que mais gostava: luz e sol. Mas, voltando aos DVD, Chaves tinha a certeza que os deixara lá na véspera à hora do almoço e que foi um dos seus quatro filhos quem “desviou” o faltoso, certamente para ver o filme à sua vontade. Com a calma possível, Chaves foi anotando o que cada um disse, quando os ouviu em separado: Afonso: Eu cá não vi nada, Só agora é que soube que tu tinhas deixado os DVD. Os exames estão à porta e só tenho tido tempo para estudar, não para ver filmes… Ontem tive aulas até às seis da tarde e dez minutos depois estava em casa, para estudar. Logo que cheguei passei por aqui, pela sala, mas como estava escuro, nem reparei nos DVD. Cláudia: Ó pai, então era capaz de levar um DVD de um filme, sem dizer nada?! Ontem não tive aulas de tarde e estive no meu quarto, lá em cima. Como estou quase em férias grandes, não tinha nada para estudar e por isso estive a ouvir música e no computador a “falar” com amigos. Nada de especial. Mónica: Vi os filmes aqui em cima da mesa, eram para aí umas nove, nove e meia da noite e até estive a ver que filmes eram… Por acaso o que te falta era o mais interessante e que eu gostava de ver porque é uma grande história e um grande filme, segundo dizem, mas nunca o ia tirar assim, sem te dizer nada. Até pensei pedir-te autorização para o ver, mas como não estavas em casa… Filipe: Pai, eu já vi esse filme e nem é assim tão bom como dizem. Vi-o no cinema e por isso não ia agora tirar-te o DVD. Além disso, ontem fui a casa de um colega e só vim à hora do jantar, eram para aí umas 8 da tarde. Estive aqui na sala a apreciar os reflexos do sol no mar e fui para a sala de jantar quando tu me chamaste. O arquiteto Chaves comparou os depoimentos e ficou com a certeza de que a responsabilidade pelo desaparecimento era um dos quatro. Tinha agora de pensar num castigo “exemplar”. O filme nem era o mais importante, mas as mentiras… Talvez uns tempos sem televisão ou, pior ainda, uma semana sem telemóvel ou sem internet… Assim, quem ficou de castigo? 1 – Afonso; 2 – Cláudia; 3 – Mónica; 4 – Filipe. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, analise bem o problema e escolha a resposta da alínea que lhe pareça a correta… E depois confira-a com a solução do autor, que se publica a fechar esta edição. SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO O Caso do DVD Desaparecido, de Inspetor Fidalgo A hipótese certa era a 1. Afonso diz que ao entrar na sala não reparou em nada por nada por estar escuro, mas as aulas estavam a acabar, seria o mês de junho e, àquela hora, pouco depois das seis da tarde, teria de haver muita luz, até pela conceção da casa. Como todos “detetives” notaram, tratava-se de um problema muito simples, de contradição nos depoimentos. A descrição é importante por fornecer os elementos indispensáveis para imaginarmos como seria a casa e sobretudo a sala. Depois de sabermos que há luz e sol e que a janela envidraçada é dirigida para o mar e que da sala se pode assistir ao pôr-do-sol, precisamos de saber a que horas se referem os depoimentos e em que época se passa a história. O texto é explícito ao indicar que o Afonso chega pelas 18h10. Por outro lado, a aproximação das férias grandes, exames, etc., dão-nos claramente a ideia de que a história se passa no mês de junho, altura em que é muito mais provável que se tenha passado o que o Filipe refere, ou seja, observar os reflexos do sol no mar, pelas 20h00. Mónica profere declarações que permitem dizer que o “desvio” do filme foi feito depois das 21h30, porque ela refere ter visto os filmes, ter reparado que o que falta é precisamente o que ela mais gostava de ver, que até pensou levá-lo, mas não o ia fazer sem pedir autorização… Portanto, às 21h30 estavam lá os filmes e aquele em particular. Talvez por isso a confusão de Afonso. É que ele foi lá buscar o filme já de noite e por isso acabou por cometer o erro. E acabou castigado, se calhar com a proibição de usar telemóvel durante uns dias, provavelmente o maior castigo que se pode aplicar nos tempos que correm!...  
Friday, April 13, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 10 de abril de 2018 FALTA UM MÊS PARA O ARRANQUE DO TORNEIO DE DECIFRAÇÃO Exatamente a um mês do arranque do torneio de decifração “Solução à Vista!”, e quando apenas cinco dias nos separam do final do prazo de envio de originais para o concurso de produção de enigmas policiais “Mãos à Escrita!”, voltamos hoje a desafiar os nossos leitores com mais uma aventura policiária do astuto, perspicaz e carismático Inspetor Fidalgo. Este novo enigma, que vem na senda de um conjunto de problemas de grau de dificuldade reduzida que temos vindo a publicar desde o início do ano, norteia-se pelo objetivo de despertar o espírito detetivesco que existe em cada um de nós e de estimular em todos os que nos acompanham uma indomável vontade de experimentar a participação nas competições que irão animar esta secção até ao final do último mês do ano em curso. Por outro lado, voltamos mais uma vez a “facilitar a vida” aos nossos leitores que habitualmente leem os enigmas e esboçam mentalmente as respetivas soluções, mas não se arriscam a participar nas competições e ficam a aguardar com alguma expectativa a solução do autor para uma comparação com a sua, uma vez que têm a oportunidade de avaliar as suas capacidades dedutivas sem quaisquer esperas, já que a solução do problema que hoje publicamos volta a acompanhar o respetivo enunciado, no fecho da edição. ENIGMA POLICIÁRIO O Inspetor Fidalgo ao Luar do Verão…, de Insp. Fidalgo O inspetor Fidalgo nem queria acreditar no que lhe acontecera. Na verdade nem parecia possível que, numa noite tão bela e quente como aquela, com um luar tão perfeito, com a lua a mostrar toda a sua plenitude, redonda e brilhante, um qualquer tipo, certamente com algum problema, viesse ter com ele, daquela maneira, a gritar que tinha visto um lobisomem e outras coisas igualmente incríveis. O inspetor olhou o homem com um misto de interesse e compaixão, logo se arrependendo deste último sentimento. Na verdade, o homem parecia estar convicto de que tudo acontecera como estava a contar… “Mas é verdade, inspetor, foi hoje mesmo… Julga que sou algum lunático, não é verdade? Pois não sou… Hoje mesmo, dia 5 de junho deste ano de 1993, com esta Lua Cheia que pode ver, que o lobisomem apareceu… Eu mesmo o vi!” “Enganou-se, certamente… Deve ter imaginado”, retorquiu o inspetor. “Não, não e não! Eu vi-o. Eram mais ou menos 21h30 e a escuridão invadia já os caminhos ermos por onde tenho de passar, para chegar à minha casa. Foi ali mesmo, naquele sítio, escuro como breu, como pode ver, só iluminado pela luz da Lua. Como pode ver, quando a lua se mostra, ainda se vê alguma coisa, mas quando as nuvens a tapam…” “E o que é que aconteceu?” “Ora, aquelas nuvens escuras encobriram a Lua e ficou tudo escuro. Foi então que me atacou… Só tive tempo de me esquivar, julgando que era algum cão, ou coisa assim, mas logo a seguir a Lua descobriu a sua face redonda e pude ver claramente que era um homem com o corpo coberto de pelos, com feições de lobo, horrível… Desatei a fugir e tive a sorte de estarem a chegar outras pessoas, que espantaram o animal, ou homem, ou lá o que ele é…” “Mas ele chegou a fazer-lhe algum mal?”, insistiu o inspetor Fidalgo. “Não, tive muita sorte!”, respondeu o homem. Nenhum dos indivíduos que ele apresentou como tendo chegado a tempo de o safar viu fosse o que fosse e tudo o que sabiam era pelo que o “nosso” homem contara. O inspetor Fidalgo sabia que não podia ser um lobisomem o que ele vira, mas queria aprofundar se o homem estaria a mentir ou se estaria de boa-fé, enganado por um qualquer fenómeno… E pensou… Poder-se-iam pôr as seguintes hipóteses: A – O homem mentiu premeditadamente, inventando uma história que nunca poderia ter-se passado como ele conta. B – O homem mentiu sem querer, confundido por ter visto alguma coisa que alguém, para lhe meter medo, forjou. C – O homem não mentiu, antes viu e sentiu tudo como indicou, embora não fosse, como é óbvio, um lobisomem. D – O homem não mentiu e nada impede que não haja mesmo lobisomens e que tudo seja, rigorosamente, como descreveu. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, analise bem o problema e escolha a resposta da alínea que lhe pareça a correta… E depois confira-a com a solução do autor, que se publica a fechar esta edição. MORREU DICK HASKINS É com enorme pesar que damos nota do falecimento do nosso confrade António Andrade Albuquerque, que se tornou popular e reconhecido em Portugal e no estrangeiro com o pseudónimo de Dick Haskins. Foi o autor de literatura policial português com maior notoriedade, tendo publicado desde o final da década de cinquenta do século XX mais de vinte livros. Estreou-se em 1958 com o livro “O Sono da Morte” e foi um caso ímpar na literatura policial no meio editorial português, tendo sido traduzido na Alemanha, Espanha, Holanda, Itália e Reino Unido, onde alcançou enorme sucesso com o romance “O Processo 327”, editado em 1967. António Andrade Albuquerque foi também editor de grande mérito, tendo criado na década de 1960, com a chancela da Ática, a coleção policial Enigma, onde publicou alguns dos mais importantes romances dos maiores nomes da literatura policial mundial. No ano 2000, após uma prolongada pausa, voltou a publicar, com o pseudónimo que o tornou famoso, o romance “A Embaixadora”. Já em 2007 publicou, com o seu verdadeiro nome, os livros “O Papa que Nunca Existiu” e “O Expresso de Berlim”. Deixou-nos na madrugada de 21 de março, aos 88 anos. SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO O Inspetor Fidalgo ao Luar do Verão…, de Inspetor Fidalgo Hipótese A. Naturalmente que há premeditação, uma vez que a história é muito mal contada, porque, às 21h30, nunca poderia existir uma escuridão total, como afirma o homem, já que a cena passa-se no dia 5 de junho de 1993. Nenhuma das outras hipóteses é viável.  
Saturday, March 31, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 30 de março de 2018 AS COMPETIÇÕES DE 2018 FAZEM O SEU CAMINHO A pouco mais de um mês do arranque do torneio de decifração “Solução à Vista!”, recordamos mais uma vez que aquela competição é constituída pelos enigmas policiais que sejam submetidos ao concurso “Mãos à Escrita”, cujo prazo de envio de originais expira no próximo dia 15 de abril. Este concurso é aberto a todos os que se queiram “aventurar” na escrita deste género de ficção, sem temática definida, tendo apenas como condição o limite máximo da dimensão do enunciado (duas páginas A4, com o tipo de letra Times New Roman, corpo de letra 12 e espaçamento de 1,5 linhas). Os enigmas concorrentes devem ser enviados para o endereço eletrónico do orientador da secção (salvadorpereirasantos@hotmail.com), acompanhados da respetiva solução (com o máximo de página e meia A4, com o mesmo espaçamento e idêntico tipo e corpo de letra). Os leitores dispostos a deitar “mãos à escrita!” podem consultar o regulamento do concurso, através do blogue Local do Crime (localdocrime.blogspot.com). Entretanto, para aquecer as “células cinzentas” dos nossos leitores “detetives” mais vocacionados para a decifração e inspirar os eventuais potenciais produtores de escrita policiária que acompanham a nossa secção, prosseguimos a publicação de alguns problemas de grau de dificuldade baixa, dando de novo o protagonismo a Inspetor Fidalgo, um dos mais prestigiados policiaristas nacionais em atividade. ENIGMA POLICIÁRIO O Inspetor Fidalgo na Praia, de Insp. Fidalgo Decorria o ano de 1990, o verão espreitava no calendário e em Lisboa festejava-se o dia da cidade, com romarias, arcos e balões, desfiles e sardinha assada. Quem não entrava nesses festejos aproveitava o dia ensolarado para um salto à praia, nos areais ainda mais ou menos limpos da Costa da Caparica. Era o que acontecia com o inspetor Fidalgo, pouco dado a folguedos, ainda que não desprezasse, de quando em vez, uma boa farra ou petisco bem regado… Depois de um bom mergulho e alguns minutos de natação, a sua atenção foi atraída por uma violenta discussão em pleno areal, entre um cabo-de-mar e um vendedor de bebidas, gelados e afins. Saído da água, o seu espírito científico, curioso, impeliu-o para o centro das atenções, tendo oportunidade de ouvir: Cabo: “Eu já lhe disse que não admito que venda neste local. Para isso tem de ter uma licença especial concedida pela Capitania, porque tudo quanto é areal pertence à Capitania regular e fiscalizar. Mais nada!” Vendedor: “Mas eu tenho licença! Tirei-a na semana passada, como pode ver. Olhe aqui!... Claro que não é passada pela Capitania, mas pode ver que não sou um bandido nem um clandestino…” Cabo: “Essa licença está passada pela Câmara Municipal… Tudo bem com eles, mas eu tenho ordens de só deixar vender quem estiver autorizado pela Capitania. Se está bem ou não, isso não sei dizer…” Vendedor: “Ora abóbora! Vai um gajo à Câmara, gasta dinheiro para comprar este papel selado, paga emolumentos e taxas e mais eu sei lá o quê, para eles aqui porem, preto, pretinho, que eu, fulano de tal, estou autorizado a vender no areal da Caparica… Vejam, vejam bem… – e exibia uma folha de papel selado, autenticada pela Câmara Municipal, datada de 6 de junho, que lhe dava autorização para vender no areal, sem limitações, os produtos que ele estava vendendo – Como é que é? Ó sr. Cabo, eu não sou nenhum meliante, tento trabalhar honradamente e o senhor está a dar-me cabo de vida. Por favor, prometo que amanhã mesmo vou à Capitania pedir mais essa autorização… Prometo…” Cabo: (perante as manifestações hostis dos presentes, que iam gritando que ele estava a impedir o pobre homem de vender honradamente e que se calhar queria era que o desgraçado fosse roubar…) “Está bem, está bem, mas eu estou de olho em si… Se o volto a ver aqui sem estar autorizado, garanto que não fica assim… Por esta passa, mas tem de agradecer a estas pessoas, que senão…” O inspetor esperou que todos fossem dispersando e dirigiu-se ao cabo-de-mar: “Sr. Cabo, não sei se é mesmo obrigatória essa licença ou se estava só a ameaçar o homem, mas acho que fez mal em deixá-lo ir embora assim, sem mais nem menos, porque…” A – O documento que o homem mostrou era falso. B – O documento podia ser verdadeiro, mas não poderia ter aquela data. C – O documento tinha de ser falso e não podia ter aquela data. D – O documento podia ser verdadeiro, mas o cabo-de-mar não pediu a identificação do homem, pelo que podia ser de outra pessoa. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, analise bem o problema e escolha a resposta da alínea que lhe pareça a correta… E depois confira-a com a solução do autor, que se publica a fechar esta edição. TORNEIO DE DECIFRAÇÃO “SOLUÇÃO À VISTA!” Com arranque previsto para a primeira quinzena de maio próximo, o torneio de decifração “Solução à Vista”, tem a particularidade de conceder aos participantes a prorrogativa de classificar, em função da originalidade e grau de dificuldade, os enigmas que lhes compete decifrar. Recordamos que cada proposta de solução será classificada entre 5 e 10 pontos, correspondendo 5 à simples presença e 10 à solução integral do enigma, sendo as pontuações intermédias definidas de acordo com o grau de resolução. O vencedor será o “detetive” que acumule mais pontos no final do torneio, conquistando como prémio o trofeu “Audiência Grande Porto”. Os concorrentes que se posicionem nas três posições subsequentes no final do torneio, serão distinguidos com as taças “Natércia Leite”, “Severina” e “Medvet” (três das mais marcantes mulheres do policiarismo português), sendo agraciados com medalhas de participação os “leitores-detetives” classificados entre o quinto e o décimo lugar da tabela classificativa final do torneio. SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO O Inspetor Fidalgo na Praia, de Inspetor Fidalgo Hipótese certa: alínea A. O documento era falso porque desde 1986 que não há papel selado. Nenhum organismo iria autenticar um tal documento, feito em papel abolido pela lei.  
Monday, March 26, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de março de 2018 ABRIL NÃO TARDA. POR ISSO… MÃOS À ESCRITA! Com as nossas duas próximas iniciativas em fase de arranque, fechámos nos dias 14 e 21 de janeiro a temporada do ano passado com a entrega dos prémios correspondentes ao Torneio Policiário’2017 e ao Concurso de Contos “Um Caso Policial em Gaia”. Lisboa (restaurante Monte Cuche, em Benfica) e Gaia (confeitaria Monte Branco, em Santo Ovídio) foram os palcos escolhidos para estes dois encontros de convívio e tertúlia, reunindo vinte e dois membros da família policiária (sete em Lisboa e quinze em Gaia) que nos acompanham desde a primeira hora. Estão assim concluídos todos os procedimentos relativos às competições do ano passado, muito embora estejam ainda por entregar os prémios conquistados por Luís Pessoa, Detetive Jeremias, Detetive Bossiak, Bernie Leceiro e Vimaranes – que não puderam comparecer nos encontros atrás referidos –, focando-nos a partir desse momento no futuro. E o futuro faz-se agora de um concurso de produção de enigmas policiais (“Mãos à Escrita!”) e de mais um torneio de decifração (“Solução à Vista!”), cujos regulamentos podem ser consultados no blogue “Local do Crime” (localdocrime.blogspot.com), que animarão esta secção nos próximos meses. Entretanto, vamos aquecendo as “células cinzentas” dos nossos leitores com mais um problema. ENIGMA POLICIÁRIO O Inspetor Fidalgo Desvenda o Crime, de Insp. Fidalgo Estava um daqueles dias aborrecidos, pastosos, complicados, em que nada apetece fazer. O céu estava bem carregado e havia tempestade no ar. O Inspetor Fidalgo detestava esses dias. Por sua vontade deitava-se a dormir, numa inconsciência total, alheado de tudo e de todos… Só que o crime espreita em cada esquina e foi assim que lhe comunicaram que o famoso financeiro Antero Billardo aparecera morto, em sua casa, em circunstâncias bastante estranhas. Crime, ao que tudo indicava, mas tornava-se necessária a sua presença, por via das dúvidas… A casa era verdadeiramente espantosa e a sobriedade misturada com um requinte exótico transformava aquele ambiente num misterioso quadro digno das mil e uma noites. O frio intenso que se fazia sentir no interior do escritório contrastava com o calor abafado e doentio que andava à solta nas ruas. No chão, bem perto da janela escancarada, jazia o corpo da vítima, deitado de costas, com os olhos azuis fitando o branco do teto. No peito, lá estava a marca produzida pela arma da morte, um punhal de cabo prateado, que estava abandonado no outro extremo do compartimento. O inspetor olhou para os presentes, aguardando algum sinal que o pusesse na rota certa. E ouviu: – Senhor inspetor, eu sou o primo do Antero, chamo-me Afonso e tenho alguma coisa a contar-lhe, mas gostaria que fosse em privado… Retiraram-se para um canto… – Eu fui o primeiro a chegar ao escritório, onde ia falar com o meu primo de uns projetos de negócio em que ando embrenhado… Ia pedir-lhe uma opinião e também, porque não confessá-lo, um financiamento! Só que não tive tempo… Ao chegar, ele já estava morto… O assassino deve ter entrado pela janela e matou-o. O que ele não sabe é que o meu primo deixou um sinal… – Um sinal? Que sinal? Não notei nada de especial… – Claro que não porque eu apaguei-o para não espantar o assassino… Sabe, o meu primo tem sempre a mania de estar com a janela aberta de par em par e, como é um andar térreo, sujeitava-se ao que aconteceu… Mas o que o assassino não sabe é que ele não morreu logo… Viu onde estava o punhal? O meu primo arrastou-se até junto da janela e escreveu no embaciado do vidro o nome do criminoso… – Estranha história… – Eu sei, mas é a verdade. Está aqui a prova, nesta máquina fotográfica com que fotografei o vidro embaciado e o nome do criminoso… Leia só. – ADRIANO… Quem é o Adriano? – É o secretário do meu primo… Ou melhor, era. O Adriano metia os pés pelas mãos, não sabia o que tinha feito em determinadas horas, não sabia dizer a que horas tinha estado pela última vez com a vítima, mostrava-se, em suma, baralhado e assustado. – Senhor inspetor, não sei de nada… Eu não tenho nada a ganhar com a morte do meu patrão… Nada! Não me lembro das horas porque aqui perdemos a noção do tempo, não temos horários a cumprir, nada!... Sim, é verdade, que o patrão estava sempre com a janela escancarada e hoje mesmo, de manhãzinha, quando vim do mercado, notei a janela aberta e vi o vulto do patrão a trabalhar… – Também o Silveira, o carteiro, confirmou que pelas 9 horas da manhã, quando passou, ele estava vivo e bem vivo, porque lhe entregou a correspondência em mão, pela janela, tendo estado até um pouco à conversa. O resultado laboratorial apontou a hora da morte para as 11 horas e o Inspetor Fidalgo meditava… A – O assassino foi o carteiro, talvez farto de entregar a correspondência numa casa tão isolada. B – O assassino foi o Afonso porque inventou toda a história e simulou o sinal no embaciado do vidro. C – O assassino foi o Adriano, denunciado a tempo pelo patrão ao escrever o seu nome no embaciado do vidro. D – Não houve crime, mas apenas e só suicídio, talvez por estar farto da vida de escravo que levava ou por os negócios não estarem tão bem como desejaria. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, analise bem o problema e escolha a resposta da alínea que lhe pareça a correta… E depois confira-a com a solução do autor, que se publica a fechar esta edição. CONCURSO “MÃOS À ESCRITA!” Recordamos os nossos leitores que o prazo de envio de originais para o concurso de enigmas policiais expira no dia 15 do próximo mês de abril. Por isso, vamos lá: Mãos à Escrita! SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO O Inspetor Fidalgo Desvenda o Crime, de Inspetor Fidalgo Hipótese certa: alínea B. Em boa verdade, não restavam dúvidas de que o sinal fora simulado, porque a janela estivera sempre aberta e, por isso, o vidro não embaciava.  
Wednesday, March 14, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 10 de março de 2018 “DETETIVES” AQUECEM AS “CÉLULAS CINZENTAS” Prosseguimos hoje com a publicação dos problemas de resposta fácil que servem de “aquecimento” às “células cinzentas” dos nossos “detetives” que brevemente se posicionarão na linha de partida do Torneio de Decifração “Solução à Vista!”, que arranca no próximo mês de maio, e que nos vai levar até ao final do ano que ainda agora mal começou. Antes, porém, continuamos a reunir os enigmas policiários que os leitores queiram submeter à apreciação do júri do concurso “Solução à Vista!”, cujo prazo de receção expira em abril. Posto isto, aqui fica mais um enigma de preparação da nossa época competitiva, da autoria do Inspetor Boavida: ENIGMA POLICIÁRIO O Caso do Leilão de Pintura Realista, de Inspetor Boavida Manuel Pimpão, construtor civil que subiu na vida a pulso, atualmente possuidor de uma enorme fortuna, não é propriamente um “expert” em matéria de artes plásticas, muito pelo contrário, mas tem um particular fascínio por obras de arte realistas, sobretudo as que espelham com rigor paisagens, monumentos e pessoas pelas quais nutre respeito e admiração, sendo neste momento detentor de uma vasta e valiosa coleção. Aquela sua paixão levou-o há dias a um leilão de Obras de um pintor-retratista dotado de extraordinária sensibilidade, falecido em circunstâncias pouco claras num acidente de viação ocorrido numa “picada” em Angola, quando ali rebentou a guerra colonial, que tinha a particularidade de pintar figuras públicas socorrendo-se apenas de fotografias publicadas em capas de revistas, retratando-as até ao mais ínfimo pormenor, a expressão, o brilho do olhar e até o carácter... O leilão foi calmo, sem fulgor, sem chama, com os licitadores a arrematar cada uma das Pinturas sem despiques de relevo. Pimpão arrematou um belíssimo Quadro onde se via Salazar a agraciar um soldado de uma companhia de comandos com a medalha de Cruz de Guerra, numa parada militar, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, depois de dois lances disputados com um misterioso sujeito de bigode farto e retorcido, vestido de gabardina, adquirindo de seguida, sem oposição, uma Obra que retratava o antigo presidente da República General Spínola no dia da sua tomada de posse. Para além daquele despique, aconteceu ainda uma pequena “picardia” entre os mesmos protagonistas quando o leiloeiro anunciou um soberbo Retrato do grande Eusébio, com a camisola das quinas, rematando, no seu estilo inconfundível, para um dos cinco golos com que Portugal “brindou” a seleção da Coreia do Norte no Campeonato do Mundo de Futebol, realizado em Inglaterra, que o sujeito de gabardina acabou por arrematar por um valor apreciável. Mas a grande discussão gerou-se quando o leiloeiro anunciou a última peça, um fantástico Retrato 1,80mx1,20m a óleo, com o capitão Salgueiro Maia em pleno largo do Carmo, em cima da Chaimite que o trouxe da Escola Prática de Cavalaria, de Santarém até Lisboa, naquela primavera de cravos e sorrisos, que abriu as portas à Liberdade. Após quatro lances “inflamados”, Pimpão acabou por arrematar aquela preciosa Obra que o deixou radiante de felicidade. Porém, quando, no final do leilão, se preparava para passar o cheque com o valor das Obras que havia arrematado, Pimpão viu-se envolvido de repente numa enorme confusão de gritos, insultos e agressões físicas, que só não tomou proporções muito mais graves graças à pronta intervenção do subchefe Pinguinhas que se encontrava em serviço no local. Firme e decidido, impondo a sua autoridade, Pinguinhas pôs fim à altercação e levou o construtor civil Manuel Pimpão, o tal sujeito de bigode farfalhudo e o leiloeiro, até ao posto da Polícia, onde resolveu o caso em “menos de nada”. Primeiro identificou os três e depois mandou dois deles de volta e deu ordem de detenção ao outro. Pergunta-se: quem ficou detido e porquê? DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, aqui fica o desafio que nos deixou o inspetor Boavida, ao qual impõe dar resposta antes de passar à leitura da solução, que se publica já de seguida, a fechar esta edição. SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO O Caso do Leilão de Pintura Realista, de Inspetor Boavida Neste estranho “Caso do Leilão de Pintura Realista”, a decisão do subchefe Pinguinhas só podia ter sido uma: o leiloeiro ficou detido a fim de ser presente ao Juiz de Turno para explicar a origem daquelas Obras arrematadas por Manuel Pimpão e por José Saudoso do Regime (o nome do tal sujeito de bigode farfalhudo e de gabardina vestido…), porque todas elas eram falsas! O pretenso autor daquelas Telas faleceu num acidente de viação numa “picada” em Angola, quando ali rebentou a guerra colonial, o que aconteceu em 1961, razão pela qual não poderia ter pintado Quadros sobre acontecimentos posteriores àquela data. Assim, nunca poderia ter retratado a óleo o nosso Eusébio, vestido com a camisola das quinas, quando a seleção portuguesa de futebol venceu a sua congénere da Coreia do Norte por 5-3, no Campeonato do Mundo de Inglaterra, realizado em 1966. Exatamente pela mesma razão, não poderiam ser da autoria daquele pintor: – A Tela onde se vê o malogrado capitão Salgueiro Maia em cima do Chaimite, que o levou de Santarém até Lisboa, na madrugada de 25 de Abril de 1974, para ocupar o Terreiro do Paço e depois o Quartel do Carmo. – Nem a Pintura onde se “vê” o General Spínola a tomar posse como Presidente da República, o que só aconteceu em 1974, na sequência da Revolução de Abril. O pretenso autor daquelas Obras, falecido em 1961, que era reconhecido pela particularidade de pintar figuras públicas socorrendo-se de fotografias publicadas em revistas, também não poderia ter retratado Salazar junto ao Mosteiro dos Jerónimos aquando da condecoração de um soldado “comando”, porque aquela Força Especial só foi criada no nosso país depois de eclodir a guerra colonial e as cerimónias públicas, de homenagem aos militares combatentes nas antigas colónias, terem tido sempre lugar no Terreiro do Paço, a 10 de Junho, então Dia da Raça, sendo que a primeira ocorreu em 1963!  
Tuesday, February 27, 2018
  REGULAMENTOS MÃOS À ESCRITA! CONCURSO DE ENIGMAS POLICIÁRIOS (PRODUÇÃO) REGULAMENTO 1. O concurso é aberto a todos os leitores do AUDIÊNCIA Grande Porto ou seguidores do blogue O Local do Crime, sem condicionalismos de idade; 2. Cada concorrente pode apresentar mais do que um original; 3. Os trabalhos, na modalidade de produção de enigma policiário, em língua portuguesa, deverão conter enunciado e respetiva solução; 4. Os trabalhos deverão ser apresentados em suporte digital, formato A4, com tipo de letra Times New Roman, em corpo 12 e com 1,5 de espaçamento entre linhas; 5. O enunciado do enigma deve ter o máximo de 2 páginas e a solução o máximo de uma página e meia; 6. Os trabalhos, nos moldes atrás descritos, deverão ser enviados para o endereço eletrónico salvadorpereirasantos@hotmail.com, entre 1 de dezembro de 2017 e 15 de abril de 2018; 7. A classificação dos enigmas será definida através da média da pontuação atribuída pelos participantes no torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador da secção O Desafio dos Enigmas; 8. Na apresentação da solução de cada prova do torneio de decifração acima referido, os participantes atribuirão ao respetivo enigma entre 5 a 10 pontos, tendo o orientador da secção o mesmo número de pontos para atribuir a cada enigma; 9. Será vencedor do concurso o enigma que alcançar uma pontuação média mais elevada, sendo distinguidos os enigmas classificados na segunda e terceira posições; 10. Serão atribuídos os seguintes prémios: 1º. Lugar – Troféu M Constantino; 2º. Lugar – Taça Zé da Vila; 3º. Lugar – Taça Mário Campino; 11. Os casos omissos serão resolvidos pelo orientador da secção O Desafio do Enigmas, não havendo recurso das decisões tomadas. SOLUÇÃO À VISTA! TORNEIO DE DECIFRAÇÃO REGULAMENTO 1. O Torneio de Decifração de enigmas policiários é aberto a todos os leitores do AUDIÊNCIA Grande Porto ou seguidores do blogue O Local do Crime, não necessitando de inscrição prévia; 2. O Torneio será constituído pelos enigmas apresentados ao concurso “Mãos è Escrita!”, que serão publicados mensalmente a partir de 1 de maio de 2018; 3. As propostas de solução de cada enigma deverão ser enviadas até ao dia 10 do mês subsequente ao da sua publicação, sendo acompanhadas de pontuação atribuída ao respetivo enigma, entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade. 4. Cada proposta de solução será classificada entre 5 e 10 pontos, correspondendo 5 à simples presença e 10 à solução integral do enigma, sendo as pontuações intermédias definidas de acordo com o grau de resolução; 5. Em cada enigma, das soluções enviadas serão selecionadas, pelo orientador da secção, as três melhores, que somarão mais 3, 2 e 1 pontos; 6. Será vencedor do Torneio o concorrente que no final acumule o maior número de pontos, sendo distinguido com o Troféu “AUDIÊNCIA Grande Porto’ 2018”; 7. Os concorrentes posicionados nos três lugares subsequentes da classificação final serão distinguidos com as Taças “Natércia Leite”, “Severina” e “Medvet”; 8. Os classificados entre o quinto e o décimo lugar serão distinguidos com medalhas de participação; 9. Os casos omissos serão resolvidos pelo orientador da secção O Desafio do Enigmas, não havendo recurso das decisões tomadas.  
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de fevereiro de 2018 TORNEIO POLICIÁRIO DE DECIFRAÇÃO “À VISTA”! Enquanto ultimamos a nossa próxima época competitiva, de que divulgamos nesta edição o regulamento do torneio de decifração “Solução à Vista!” – que pode ser também consultado no blogue “Local do Crime” (localdocrime.blogspot.com), assim como o regulamento do concurso de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” –, prosseguimos com a publicação de alguns problemas breves e de resposta fácil para “aquecimento” das “células cinzentas” dos nossos “detetives”, trazendo hoje um original de Inspetor Fidalgo, alter-ego de Luís Pessoa, autor do conto vencedor do concurso “Um Caso Policial em Gaia” que ocupou boa parte das nossas últimas edições. ENIGMA POLICIÁRIO Morte em Lisboa, de Inspetor Fidalgo O sol estava radioso e penetrava por entre o casario, fazendo assomar às janelas rostos alegres. Por uma dessas janelas saiu um grito estridente que atraiu imediatamente uma série de pessoas em busca de um espetáculo esperado. Sangue! Com a chegada da polícia, ainda mais se agitou o público, discutindo e fazendo conjeturas sobre o sucedido. O inspetor Fidalgo entrou no quarto atafulhado de roupas, móveis, numa desarrumação incrível, e olhou a vítima, uma jovem loira, bonita, de uns olhos azuis intensos mas imóveis. Depois de algumas fotografias, foram-lhe apresentados três suspeitos, homens com que a moça privara nos últimos tempos. Interrogados, fizeram as seguintes declarações: Inácio: “Não vira nada. Vinha buscá-la às 18h00, como tinha sido combinado. Quando ia a subir as escadas, ouvi um grito, corri pelas escadas acima, mas quando lá cheguei não vi ninguém e ela estava morta. Não toquei em nada, claro!” Afonso: “Estive com ela até às 17 horas, mais ou menos. Trouxe-a a casa e não me apercebi de nada de extraordinário. O que sei é que a deixei viva e de boa saúde. Fui-me embora e não sei de mais nada”. Américo: “Já não a via há meses. Vinha hoje visitá-la e, de certa forma, fazer as pazes com ela. Não sei de nada e, se quer que lhe diga, acho muito estranho que a matassem com uma faca daquele tamanho. Estou chocado, espero que compreenda…” A morta ia ser transportada do compartimento ao lado para a morgue. Aquela casa fatídica, com apenas uma porta de acesso, uma janela e dois compartimentos, fora abalada pela morte da sua única ocupante. Já na rua, Américo pediu para ver a moça pela última vez, porque já não a via há meses, e a cena foi comovente. Mais tarde, na Judiciária, o inspetor Fidalgo examinava os resultados da autópsia, olhando nostalgicamente as fotografias onde aparece um corpo bonito, cara arredondada e olhos azuis fitando o teto. O resultado da autópsia indicava que a morte ocorrera por via de uma incisão nas costas provocada por uma faca de cabo preto, que atingiu o coração. O inspetor Fidalgo já sabia quem era o culpado… A - O culpado foi Inácio, porque já tinha subido as escadas e ninguém o acompanhou ao entrar no quarto; B - O culpado foi o Afonso que a foi levar a casa e a matou quando soube que o Inácio a vinha buscar, por ciúmes; C - O culpado é o Américo, porque apareceu sem avisar e viu a moça a despedir-se do Afonso e à espera do Inácio; D - O culpado é o Américo, porque não podia saber como a jovem tinha sido morta. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, analise bem o problema e escolha a resposta da alínea que lhe pareça a correta… E depois confira-a com a solução do autor, que se publica a fechar esta edição. TORNEIO DE DECIFRAÇÃO “SOLUÇÃO À VISTA!” REGULAMENTO 1. O Torneio de Decifração de enigmas policiários é aberto a todos os leitores do AUDIÊNCIA Grande Porto ou seguidores do blogue O Local do Crime, não necessitando de inscrição prévia; 2. O Torneio será constituído pelos enigmas apresentados ao concurso “Mãos è Escrita!”, que serão publicados mensalmente a partir de 1 de maio de 2018; 3. As propostas de solução de cada enigma deverão ser enviadas até ao dia 10 do mês subsequente ao da sua publicação, sendo acompanhadas de pontuação atribuída ao respetivo enigma, entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade. 4. Cada proposta de solução será classificada entre 5 e 10 pontos, correspondendo 5 à simples presença e 10 à solução integral do enigma, sendo as pontuações intermédias definidas de acordo com o grau de resolução; 5. Em cada enigma, das soluções enviadas serão selecionadas, pelo orientador da secção, as três melhores, que somarão mais 3, 2 e 1 pontos; 6. Será vencedor do Torneio o concorrente que no final acumule o maior número de pontos, sendo distinguido com o Troféu “AUDIÊNCIA Grande Porto’ 2018”; 7. Os concorrentes posicionados nos três lugares subsequentes da classificação final serão distinguidos com as Taças “Natércia Leite”, “Severina” e “Medvet”; 8. Os classificados entre o quinto e o décimo lugar serão distinguidos com medalhas de participação; 9. Os casos omissos serão resolvidos pelo orientador da secção O Desafio do Enigmas, não havendo recurso das decisões tomadas. SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO Morte em Lisboa, de Luís Pessoa Alínea D - O culpado é o Américo, porque não podia saber como a jovem tinha sido morta. Naturalmente que se o Américo não via a moça há muito tempo, como afirmou e ela estava de costas para o chão, como se revela, ele não poderia saber como fora morta, a menos que…  
Tuesday, February 20, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 10 de fevereiro de 2018 PRODUÇÃO DE ENIGMAS POLICIAIS EM CONCURSO Na transição do ano velho para o novo ano, evocámos um dos maiores divulgadores do policiário no nosso país: Sete de Espadas. Agora, no arranque das competições de 2018, começamos por prestar uma singela homenagem a Manuel Botas Constantino – figura maior do policiarismo português na vertente da produção de enigmas, para além de profundo estudioso e grande colecionador de literatura policial e de mistério, fantástico e ficção científica, com mais de setenta anos de dedicação ao policiário –, denominando com os pseudónimos por ele usados (M Constantino, Zé da Vila e Mário Campino) os prémios destinados aos concorrentes que se destaquem no concurso de Enigmas Policiários, que estamos neste momento a promover (de que publicamos nesta edição o respetivo regulamento). E enquanto preparamos esta iniciativa, que será conjugada por mais um torneio de decifração, publicaremos nas próximas edições alguns problemas breves e de resposta fácil, começando hoje com um da autoria de Mestre Constantino. ENIGMA POLICIÁRIO Ladrão que Rouba Ladrão, de M. Constantino Tenho na minha frente os três suspeitos do roubo na Ourivesaria Universal, cujo proprietário é perito e negociante de diamantes raros, de valores elevados. Tudo averiguado, visto, revisto e ponderado, não restam dúvidas de que os larápios, também eles especializados em diamantes, haviam combinado e concretizado o roubo. Artur Manhoso, Benjamim Levezinho e Tomás Ligeiro são os seus nomes, talvez falsos, em todo o caso nomes. Dúvidas sobre a participação comum no roubo não existiam; daí, a sua prisão, ainda que preventiva, para cumprir a lei. O nosso caso complica-se por existir, entre eles, um ladrão de ladrões. Explico: o que ficara com a missão de guardar o fruto da gatunice achou mais fácil ou útil ficar com tudo. Qual deles? Dois foram sócios em vários “negócios”; o terceiro, de compleição atlética, cabelos negros, brilhantina a rodos, dedicava-se a motorista de famílias ricas… nas horas vagas, é claro! E fora este que Artur convidara em primeiro lugar para o golpe. Benjamim e o ladrão eram louros naturais. Estas as conclusões a que cheguei, para apurar quem era o ladrão dos ladrões. Não ia dar “cem anos de perdão”, como diz o provérbio, lá isso não, porque ladrão de ladrão é duas vezes ladrão. Estão a seguir o raciocínio? Identifiquem-no então. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, leia calmamente o problema, analise-o bem e seja você próprio o “detetive”, descobrindo, a partir dos elementos que são fornecidos, quem é o ladrão dos ladrões (será o Artur Manhoso, o Benjamim Levezinho ou o Tomás Ligeiro?). E depois confirme se o seu raciocínio está correto, lendo a solução do autor que se publica a fechar a presente edição. Mas, atenção, neste exercício detectivesco não é permitido fazer batota, sob nenhum pretexto. Está “impedido”, portanto, de ler a solução do autor antes de concluir mentalmente a sua!... CONCURSO DE ENIGMAS POLICIAIS “MÃOS À ESCRITA!” REGULAMENTO 1. O concurso é aberto a todos os leitores do AUDIÊNCIA Grande Porto ou seguidores do blogue O Local do Crime (localdocrime.blogspot.com), sem condicionalismos de idade; 2. Cada concorrente pode apresentar mais do que um original; 3. Os trabalhos, na modalidade de produção de enigma policiário, em língua portuguesa, deverão conter enunciado e respetiva solução; 4. Os trabalhos deverão ser apresentados em suporte digital, formato A4, com tipo de letra Times New Roman, em corpo 12 e com 1,5 de espaçamento entre linhas; 5. O enunciado do enigma deve ter o máximo de 2 páginas e a solução o máximo de uma página e meia; 6. Os trabalhos, nos moldes atrás descritos, deverão ser enviados para o endereço eletrónico salvadorpereirasantos@hotmail.com, entre 1 de dezembro de 2017 e 15 de abril de 2018; 7. A classificação dos enigmas será definida através da média da pontuação atribuída pelos participantes no torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador da secção O Desafio dos Enigmas; 8. Na apresentação da solução de cada prova do torneio de decifração acima referido, os participantes atribuirão ao respetivo enigma entre 5 a 10 pontos, tendo o orientador da secção o mesmo número de pontos para atribuir a cada enigma; 9. Será vencedor do concurso o enigma que alcançar uma pontuação média mais elevada, sendo também distinguidos os enigmas classificados na segunda e terceira posições; 10. Serão atribuídos os seguintes prémios: 1º. Lugar – Troféu M Constantino; 2º. Lugar – Taça Zé da Vila; 3º. Lugar – Taça Mário Campino; 11. Os casos omissos serão resolvidos pelo orientador da secção O Desafio do Enigmas, não havendo recurso das decisões tomadas. DETETIVE JEREMIAS SAGROU-SE CAMPEÃ NACIONAL A leitora Detetive Jeremias, grande vencedora do nosso Torneio Policiário’2017, sagrou-se pela segunda vez campeã nacional de decifração, ao bater os seus mais diretos opositores nas duas últimas provas daquela que é a mais importante competição que se disputa no nosso país (secção Policiário, jornal Público). Nas duas posições imediatas classificaram-se Daniel Falcão (anterior campeão nacional) e a dupla Búfalos Associados (que conquistou a Taça de Portugal). SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO Ladrão que Rouba Ladrão, de M. Constantino a) Benjamim e o ladrão eram louros, o motorista tinha o cabelo preto; b) Por exclusão de partes (eliminação) Benjamim, porque é louro mas não é o ladrão, e o ladrão também é louro, não pode ser o motorista; c) O ladrão só pode ser o Artur Manhoso, que exclui o Benjamim Levezinho (louro); e o motorista só pode ser o Tomás Ligeiro.  
enigmas e contos policiais

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