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Sunday, April 22, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 20 de abril de 2018 TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!” TEM NOVE PROVAS Expirado o prazo de receção de originais, conclui-se que o concurso de produção de enigmas policiais “Mãos à Escrita!” registou a participação de nove autores. Desta forma, serão também nove as provas que constituirão o torneio de decifração “Solução à Vista!”, com arranque agendado para o próximo dia 10 de maio, durante o qual serão decididos os problemas vencedores dos três prémios em disputa (troféu M. Constantino, taça Zé da Vila e taça Mário Campino). Essa decisão será tomada em função da média pontual atribuída pelos participantes do torneio de decifração e pelo orientador da secção, que, regulamentarmente, dispõem de entre 5 a 10 pontos para atribuir a cada enigma concorrente, tendo em conta a sua originalidade e grau de dificuldade. Posto isto, aproveitamos o tempo que nos separa do início desta que é a competição de todas as decisões (para produtores e decifradores) para publicar o penúltimo “problema de aquecimento das células cinzentas dos nossos detetives”, com mais uma aventura do “nosso” inspetor Fidalgo. ENIGMA POLICIÁRIO O Caso do DVD Desaparecido, de Insp. Fidalgo As coisas andavam a azedar um pouco na casa do arquiteto Chaves. Ele tinha a certeza que deixara três DVD em cima da mesa da sala de estar, com filmes muito recentes, que prometera emprestar a um amigo, mas a verdade é que agora só dava com dois. O terceiro evaporara-se! A sala era grande, virada a poente e ao mar, com amplas vidraças que deixavam entrar toda a luminosidade e os raios de sol, quando este brilhava, como era o caso. O projeto era dele mesmo e por isso privilegiara aquilo de que mais gostava: luz e sol. Mas, voltando aos DVD, Chaves tinha a certeza que os deixara lá na véspera à hora do almoço e que foi um dos seus quatro filhos quem “desviou” o faltoso, certamente para ver o filme à sua vontade. Com a calma possível, Chaves foi anotando o que cada um disse, quando os ouviu em separado: Afonso: Eu cá não vi nada, Só agora é que soube que tu tinhas deixado os DVD. Os exames estão à porta e só tenho tido tempo para estudar, não para ver filmes… Ontem tive aulas até às seis da tarde e dez minutos depois estava em casa, para estudar. Logo que cheguei passei por aqui, pela sala, mas como estava escuro, nem reparei nos DVD. Cláudia: Ó pai, então era capaz de levar um DVD de um filme, sem dizer nada?! Ontem não tive aulas de tarde e estive no meu quarto, lá em cima. Como estou quase em férias grandes, não tinha nada para estudar e por isso estive a ouvir música e no computador a “falar” com amigos. Nada de especial. Mónica: Vi os filmes aqui em cima da mesa, eram para aí umas nove, nove e meia da noite e até estive a ver que filmes eram… Por acaso o que te falta era o mais interessante e que eu gostava de ver porque é uma grande história e um grande filme, segundo dizem, mas nunca o ia tirar assim, sem te dizer nada. Até pensei pedir-te autorização para o ver, mas como não estavas em casa… Filipe: Pai, eu já vi esse filme e nem é assim tão bom como dizem. Vi-o no cinema e por isso não ia agora tirar-te o DVD. Além disso, ontem fui a casa de um colega e só vim à hora do jantar, eram para aí umas 8 da tarde. Estive aqui na sala a apreciar os reflexos do sol no mar e fui para a sala de jantar quando tu me chamaste. O arquiteto Chaves comparou os depoimentos e ficou com a certeza de que a responsabilidade pelo desaparecimento era um dos quatro. Tinha agora de pensar num castigo “exemplar”. O filme nem era o mais importante, mas as mentiras… Talvez uns tempos sem televisão ou, pior ainda, uma semana sem telemóvel ou sem internet… Assim, quem ficou de castigo? 1 – Afonso; 2 – Cláudia; 3 – Mónica; 4 – Filipe. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, analise bem o problema e escolha a resposta da alínea que lhe pareça a correta… E depois confira-a com a solução do autor, que se publica a fechar esta edição. SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO O Caso do DVD Desaparecido, de Inspetor Fidalgo A hipótese certa era a 1. Afonso diz que ao entrar na sala não reparou em nada por nada por estar escuro, mas as aulas estavam a acabar, seria o mês de junho e, àquela hora, pouco depois das seis da tarde, teria de haver muita luz, até pela conceção da casa. Como todos “detetives” notaram, tratava-se de um problema muito simples, de contradição nos depoimentos. A descrição é importante por fornecer os elementos indispensáveis para imaginarmos como seria a casa e sobretudo a sala. Depois de sabermos que há luz e sol e que a janela envidraçada é dirigida para o mar e que da sala se pode assistir ao pôr-do-sol, precisamos de saber a que horas se referem os depoimentos e em que época se passa a história. O texto é explícito ao indicar que o Afonso chega pelas 18h10. Por outro lado, a aproximação das férias grandes, exames, etc., dão-nos claramente a ideia de que a história se passa no mês de junho, altura em que é muito mais provável que se tenha passado o que o Filipe refere, ou seja, observar os reflexos do sol no mar, pelas 20h00. Mónica profere declarações que permitem dizer que o “desvio” do filme foi feito depois das 21h30, porque ela refere ter visto os filmes, ter reparado que o que falta é precisamente o que ela mais gostava de ver, que até pensou levá-lo, mas não o ia fazer sem pedir autorização… Portanto, às 21h30 estavam lá os filmes e aquele em particular. Talvez por isso a confusão de Afonso. É que ele foi lá buscar o filme já de noite e por isso acabou por cometer o erro. E acabou castigado, se calhar com a proibição de usar telemóvel durante uns dias, provavelmente o maior castigo que se pode aplicar nos tempos que correm!...  
Friday, April 13, 2018
  O DESAFIO DOS ENIGMAS - edição de 10 de abril de 2018 FALTA UM MÊS PARA O ARRANQUE DO TORNEIO DE DECIFRAÇÃO Exatamente a um mês do arranque do torneio de decifração “Solução à Vista!”, e quando apenas cinco dias nos separam do final do prazo de envio de originais para o concurso de produção de enigmas policiais “Mãos à Escrita!”, voltamos hoje a desafiar os nossos leitores com mais uma aventura policiária do astuto, perspicaz e carismático Inspetor Fidalgo. Este novo enigma, que vem na senda de um conjunto de problemas de grau de dificuldade reduzida que temos vindo a publicar desde o início do ano, norteia-se pelo objetivo de despertar o espírito detetivesco que existe em cada um de nós e de estimular em todos os que nos acompanham uma indomável vontade de experimentar a participação nas competições que irão animar esta secção até ao final do último mês do ano em curso. Por outro lado, voltamos mais uma vez a “facilitar a vida” aos nossos leitores que habitualmente leem os enigmas e esboçam mentalmente as respetivas soluções, mas não se arriscam a participar nas competições e ficam a aguardar com alguma expectativa a solução do autor para uma comparação com a sua, uma vez que têm a oportunidade de avaliar as suas capacidades dedutivas sem quaisquer esperas, já que a solução do problema que hoje publicamos volta a acompanhar o respetivo enunciado, no fecho da edição. ENIGMA POLICIÁRIO O Inspetor Fidalgo ao Luar do Verão…, de Insp. Fidalgo O inspetor Fidalgo nem queria acreditar no que lhe acontecera. Na verdade nem parecia possível que, numa noite tão bela e quente como aquela, com um luar tão perfeito, com a lua a mostrar toda a sua plenitude, redonda e brilhante, um qualquer tipo, certamente com algum problema, viesse ter com ele, daquela maneira, a gritar que tinha visto um lobisomem e outras coisas igualmente incríveis. O inspetor olhou o homem com um misto de interesse e compaixão, logo se arrependendo deste último sentimento. Na verdade, o homem parecia estar convicto de que tudo acontecera como estava a contar… “Mas é verdade, inspetor, foi hoje mesmo… Julga que sou algum lunático, não é verdade? Pois não sou… Hoje mesmo, dia 5 de junho deste ano de 1993, com esta Lua Cheia que pode ver, que o lobisomem apareceu… Eu mesmo o vi!” “Enganou-se, certamente… Deve ter imaginado”, retorquiu o inspetor. “Não, não e não! Eu vi-o. Eram mais ou menos 21h30 e a escuridão invadia já os caminhos ermos por onde tenho de passar, para chegar à minha casa. Foi ali mesmo, naquele sítio, escuro como breu, como pode ver, só iluminado pela luz da Lua. Como pode ver, quando a lua se mostra, ainda se vê alguma coisa, mas quando as nuvens a tapam…” “E o que é que aconteceu?” “Ora, aquelas nuvens escuras encobriram a Lua e ficou tudo escuro. Foi então que me atacou… Só tive tempo de me esquivar, julgando que era algum cão, ou coisa assim, mas logo a seguir a Lua descobriu a sua face redonda e pude ver claramente que era um homem com o corpo coberto de pelos, com feições de lobo, horrível… Desatei a fugir e tive a sorte de estarem a chegar outras pessoas, que espantaram o animal, ou homem, ou lá o que ele é…” “Mas ele chegou a fazer-lhe algum mal?”, insistiu o inspetor Fidalgo. “Não, tive muita sorte!”, respondeu o homem. Nenhum dos indivíduos que ele apresentou como tendo chegado a tempo de o safar viu fosse o que fosse e tudo o que sabiam era pelo que o “nosso” homem contara. O inspetor Fidalgo sabia que não podia ser um lobisomem o que ele vira, mas queria aprofundar se o homem estaria a mentir ou se estaria de boa-fé, enganado por um qualquer fenómeno… E pensou… Poder-se-iam pôr as seguintes hipóteses: A – O homem mentiu premeditadamente, inventando uma história que nunca poderia ter-se passado como ele conta. B – O homem mentiu sem querer, confundido por ter visto alguma coisa que alguém, para lhe meter medo, forjou. C – O homem não mentiu, antes viu e sentiu tudo como indicou, embora não fosse, como é óbvio, um lobisomem. D – O homem não mentiu e nada impede que não haja mesmo lobisomens e que tudo seja, rigorosamente, como descreveu. DESAFIO AO LEITOR Amigo leitor, analise bem o problema e escolha a resposta da alínea que lhe pareça a correta… E depois confira-a com a solução do autor, que se publica a fechar esta edição. MORREU DICK HASKINS É com enorme pesar que damos nota do falecimento do nosso confrade António Andrade Albuquerque, que se tornou popular e reconhecido em Portugal e no estrangeiro com o pseudónimo de Dick Haskins. Foi o autor de literatura policial português com maior notoriedade, tendo publicado desde o final da década de cinquenta do século XX mais de vinte livros. Estreou-se em 1958 com o livro “O Sono da Morte” e foi um caso ímpar na literatura policial no meio editorial português, tendo sido traduzido na Alemanha, Espanha, Holanda, Itália e Reino Unido, onde alcançou enorme sucesso com o romance “O Processo 327”, editado em 1967. António Andrade Albuquerque foi também editor de grande mérito, tendo criado na década de 1960, com a chancela da Ática, a coleção policial Enigma, onde publicou alguns dos mais importantes romances dos maiores nomes da literatura policial mundial. No ano 2000, após uma prolongada pausa, voltou a publicar, com o pseudónimo que o tornou famoso, o romance “A Embaixadora”. Já em 2007 publicou, com o seu verdadeiro nome, os livros “O Papa que Nunca Existiu” e “O Expresso de Berlim”. Deixou-nos na madrugada de 21 de março, aos 88 anos. SOLUÇÃO DO ENIGMA DESTA EDIÇÃO O Inspetor Fidalgo ao Luar do Verão…, de Inspetor Fidalgo Hipótese A. Naturalmente que há premeditação, uma vez que a história é muito mal contada, porque, às 21h30, nunca poderia existir uma escuridão total, como afirma o homem, já que a cena passa-se no dia 5 de junho de 1993. Nenhuma das outras hipóteses é viável.  
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